Triscaidecafobia Picante


(13/01/2024) Sentei-me em frente ao portátil e olhei para o calendário.

Verdade, tenho um calendário em papel, bem catita, com um desenho por mês produzido pela APBP – Artistas Pintores com a Boca e o Pé, que em Portugal se situa nas Caldas da Rainha.

Já não me recordo como recebi o primeiro, mas todos os anos chega um novo, além de outros artigos, sendo que depois faço o pagamento, que não é obrigatório.

A APBP está integrada numa Associação Internacional fundada em 1957 pelo alemão Erich Stegmann, vítima de poliomielite que cresceu sem o uso dos seus braços, mas apesar disso conseguiu uma carreira de sucesso como artista no seu país, usando a boca para segurar o pincel.

A página deste mês tem um pássaro da neve, assinalando que hoje é dia treze, número conectado com o azar.

Mas porquê?

As origens da superstição – a triscaidecafobia – são obscuras e especulativas. Por exemplo, na mitologia nórdica, há uma história sobre um banquete dos deuses em que Loki, o deus da trapaça e do caos, foi o 13º convidado e causou a morte de Balder, o deus da luz, já na Última Ceia de Jesus Cristo, haviam 13 pessoas à mesa, incluindo Judas Iscariotes, que traiu Jesus. A traição de Judas levou à crucificação de Jesus, o que pode ter contribuído para a associação negativa com o número treze.

Convém notar que a triscaidecafobia e a superstição em torno do número 13 não são universalmente aceites, pelo que cada um acredita no que quiser.

“Boa noite Tio”, cumprimentaram-me os três.

“Estás com uma cara estranha?”, afirmou a RODINHAS.

“Estava a pensar no número treze. Vocês sabem que hoje é o Dia do Velho Ano Novo?”.

“Pensava que íamos falar do Asdrúbal”, afirmou o OLHA.

“Já lá vamos, agora quero saber que Dia é esse de que falaste?”, perguntou o ALÉU.

“Hoje os cristãos ortodoxos, em países como a Rússia, Geórgia, Bielorrússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Moldávia, Ucrânia, Sérvia, Macedónia, Montenegro, Bósnia Herzegovina, Gales e Suíça, comemoram o Velho Ano Novo ou o Ano Novo Ortodoxo treze dias depois do Ano Novo do calendário gregoriano, ou seja, hoje, tem a ver com a diferença do calendário juliano para o gregoriano que é de 13 dias nos séculos XX a XXI. Contudo, a diferença entre os dois calendários aumenta um dia a cada século, sempre que o número de centenas do ano não é um múltiplo de quatro. Assim a partir de 2101 a data comemorar-se-á a 14 de janeiro”.

“Bolas, isso é uma grande trabalheira matemática”, brincou a RODINHAS.

“Eu também acho, um calendário para todos era bem melhor, mas temos que respeitar as opiniões diferentes”.

“Já que estamos a falar de calendários, podemos falar do Asdrúbal?”, perguntou a RODINHAS.

“Por mim pode ser. O que acharam da minha ideia?”.

“Achámos espetacular!”, gritaram os três em uníssono. “Tio, mas porquê Asdrúbal para começar?”.

“Foi o primeiro nome começado por A que me veio à cabeça”.

“Mas não é um nome muito… normal”, argumentou o OLHA.

“Mas existe. Já que estão de acordo com a ideia, vamos lá fazer com que o Asdrúbal seja um grande Ano, para isso vamos ao trabalho. Qual de vocês esteve atento à 3ª jornada da Liga dos Campeões que se cumpriu na quinta-feira?”.

“Fui eu”, afirmou o ALÉU. “Final da 1ª volta, com quatro vitórias portuguesas, duas derrotas e um empate, sendo que na próxima semana (17/01) temos o dérbi da Segunda Circular que está em atraso do grupo B, onde o Benfica, com menos um jogo está na frente, fruto do empate no João Rocha do Sporting com o Calafell. No grupo A temos o Barcelona no primeiro lugar, que venceu o OC Barcelos que está no 2º lugar. No grupo C o Sporting de Tomar perdeu em Itália, o FC Porto venceu em Lleida, com os nabantinos a caírem para o 3º lugar, mas a continuarem dentro da luta. Já no grupo D as duas equipas portuguesas – Oliveirense e Valongo – venceram, com destaque para a rapaziada de Oliveira de Azeméis que ganhou em Lodi, liderando o grupo, com os valonguenses no 2º lugar”.

“Portanto, todas as equipas portuguesas dentro do apuramento, o que é excelente”.

“Por isso é que dizem que o nosso campeonato é o melhor da Europa”, argumentou o OLHA.

“Exatamente. Vamos lá fazer a escala para o fim de semana. Eu vou ficar com a Liga dos Campeões feminina, enquanto que a juventude vai acompanhar esta eliminatória da Taça de Portugal. Estão de acordo?”.

“Ok Tio, nós combinamos entre nós como vamos fazer esse acompanhamento”, garantiu a RODINHAS.

“Muito bem…”, comecei eu, mas logo fui interrompido.

“Espera aí, ainda não nos disseste o que é o almoço hoje”, riu-se o OLHA.

“Pois, vocês nunca se esquecem. Hoje é a Princesa que vai fazer a refeição, uma açorda de bacalhau com muito alho e coentros. Até terça-feira”.

“Ui, até já nos cheira bem!”, sublinharam os três com uma gargalhada. “Grande abraço Tio”.

Eles libertaram o monitor e eu fui pôr a mesa.

Nasceu na cidade dos estudantes, começou a jogar no berço do leitão, arrumou os patins – a temporada passada – na Nova Iorque portuguesa e está no FORA DO BANCO desta semana.

Nome Completo: Tiago Alexandre Moura Ferraz

Clube atual: AA Espinho

Idade: 37 anos

Local de Nascimento: Coimbra

Prato preferido: Bacalhau à Brás

Melhor cidade para viver: Porto

Livro que está na mesa de cabeceira: Lições de liderança no desporto

O filme que já viu mais do que uma vez: Ressaca

Jogou hóquei em patins? Se sim, em que clube(es): HC Mealhada, ACR Gulpilhares, HA Cambra, UD Oliveirense, AD Sanjoanense, Valença HC, CI Sagres, AA Espinho

Como/quando chegou a opção de ser treinador: Profissional na área do desporto – professor – e o amor pela modalidade

Clubes/seleções que já treinou: ACR Gulpilhares, AD Sanjoanense, CI Sagres, AA Espinho

Mais fácil treinar equipas da formação ou seniores: Formação

Quanto tempo demora a preparar o próximo jogo da sua equipa: Depende, normalmente 5 dias

Se pudesse, que regra alteraria no hóquei em patins: Faltas e equipamento dos guarda-redes

Maior tristeza como treinador: Perda do título regional sub-19

E, claro, a maior alegria: Apuramento para o nacional

Para terminar, o que mais o irrita durante um jogo: Jogadores não me obedecerem.

(15/01/2024) Esta manhã enviei uma mensagem ao AMAGADINHO: “Esta semana não há campeonato. Queres falar sobre alguma coisa?”.

Ele respondeu rapidamente: “Claro que sim!”.

A certeza afirmativa dele fez-me prever que deve vir por aí mais algum questionário exigente para mim.

Contrariamente ao que tinha pensado, não tive tempo para me debruçar exaustivamente sobre a prova, pelo que quando ele surgiu no monitor, percebi que iam ser uns minutos complicados.

“Boa noite Tio”.

“Boa noite miúdo. Um fim de semana sem jogos, precisamente numa altura em terminou a primeira volta. O que nos trazes hoje?”.

“O balanço desta primeira metade já fiz a semana passada, pelo que preparei um pequeno questionário para ti”.

Eu sabia!

“Parece-me bem, mas digo-te já que não estou muito bem preparado”.

“Não sejas modesto, além disso são só meia-dúzia de perguntas”.

“Venham elas”.

“Vamos à primeira. A Oliveirense está no 1º lugar, em igualdade pontual com o Sporting, as duas equipas empataram em Oliveira de Azeméis, pelo que é a diferença de golos que dá a liderança à rapaziada de Edo Bosch. Quanto golos fazem essa diferença?”.

“Tenho a ideia de que não serão muitos… três?”.

“Boa Tio, curiosamente os mesmos golos que cada uma marcou nesse empate. Vamos à segunda. Qual é a diferença entre golos marcados e sofridos pelo Carvalhos, a única equipa que ainda não conseguiu pontuar?”.

“Vou arriscar numa diferença negativa de 59 golos”.

“São mais, marcou 21 e sofreu 86, por isso dá 65 golos”.

“Não andei muito longe”.

“Vamos à terceira. Há uma equipa que ainda não conseguiu marcar de grande penalidade. Qual é?”.

“Bolas, essa é um tiro no escuro. Vou dizer o Turquel”.

“Não, os Brutos dos Queixos já marcaram um. Foi o HC Braga, que já teve quatro hipóteses mais ainda não foi feliz dos 5,40 metros. Vamos a outra. Como sabes eu não gosto de empates, sendo que há três equipas que têm feito a vontade. Quais são?”.

“Duas sei, o Carvalhos, que são tem derrotas e o FC Porto, falta uma… vou arriscar na Juventude Pacense”.

“Certo! Excelente palpite. Só faltam duas e vamos para jogadores. Qual o guarda-redes que jogou todos os jogos, já teve 15 livres diretos contra a sua equipa e ainda não sofreu nenhum?”.

“Não sei quem é, mas tiro-lhe já o meu chapéu. Vou arriscar no jovem Alejandro Edo”.

“Então Tio!? Não é que acertaste de novo! Bem a última tem que ser difícil, senão vais ganhar”.

“Vá lá, não sejas mau”.

“Cento e dois jogadores já viram o cartão azul, mas só um viu essa admoestação em todos os jogos. Quem foi?”.

“102 jogadores!? Não faço a mínima ideia! Vou apostar na irreverência argentina do Franco Ferruccio”.

“Quase Tio, ele já viu o azul em dez jogos, mas o pleno é do Pedro Silva do Riba d’Ave”.

“Chama-se a isso um jogador certinho”, brinquei eu.

“Um empate, não foi mau, para a próxima ganhas. Abraço Tio e até para a semana”.

“Adeus AMAGADINHO”.

As coisas que ele inventa, só porque está tudo no hoqueipatins.pt, ou seja, a culpa é do Pedro Jorge Cabral e da sua equipa.

Um cartão branco para eles.

(16/01/2024) Confesso que eu pensei que eles iam achar que eu estava louco com a história do Asdrúbal.

Pareceu-me que reagiram bem, mas não sei se não ficaram na dúvida relativamente à minha sanidade mental, mas quando chegamos a uma fase da vida, em que já não nos importamos muito com aquilo que outros pensam, nomeadamente em relação às nossas loucuras inofensivas, lidamos bem com estas dúvidas.

Aliás, pensando melhor, eu nunca me preocupei muito com aquilo que as pessoas pensavam sobre mim, acho que quase sempre disse aquilo que entendia ser adequado naquela altura, apesar de em muitas situações isso me ter prejudicado.

O que está feito, feito está, agora é seguir em frente e conversar com a juventude que está mesmo a chegar.

“Boa noite Tio”.

“Boa noite malta mais gira”.

“Já percebi que o Tio está bem disposto”, afirmou a RODINHAS.

“Quantas vezes é que me têm visto maldisposto?”.

“Também é verdade, a boa disposição faz parte de ti”, confirmou o OLHA.

“Nem mais, tem que ser assim. Quem é que gosta de comida picante?”.

Eles olharam uns para os outros, parecendo que estavam em dúvida quanto à pergunta.

“Não sou grande fã”, respondeu o ALÉU.

“Eu não gosto nada de coisas picantes”, confirmou a RODINHAS.

“Para mim um bom piripiri fica sempre bem”, riu-se o OLHA.

“Então ficam a saber que hoje é o Dia Internacional da Comida Picante, oportunidade para proporcionar surpresas ao paladar, mas confesso que também não gosto muito de refeições demasiadamente apimentadas”.

“Eu tenho vários amigos que dizem que pratos confecionados com malaguetas, chili, pimenta e outros ingredientes picantes dão um sabor extra à comida”, referiu o ALÉU.

“Há também quem diga que à comida picante são apontados vários benefícios, desde o consumo de energia do corpo, e consequente emagrecimento, ao fortalecimento cardiovascular”.

“Olha, se dá para emagrecer, talvez seja uma boa opção em vez de ir ao ginásio”, riu-se a RODINHAS.

“Eu acho que tem muito a ver com os hábitos da nossa cozinha mediterrânica, que não usa muito o picante, ao contrário de outras culturas gastronómicas, como a mexicana, crioula, indiana ou tailandesa, que são conhecidas pela mistura de ingredientes. Quem quiser experimentar, é arriscar, que cá para o Tio está muito bem assim. Bem, vamos deixar os tachos e panelas para outas núpcias e vamos até ao rinque. Vou começar eu, que estive de volta da Liga dos Campeões feminina, em dia da segunda jornada da fase de grupos. Relativamente às equipas portuguesas, as encarnadas conseguiram a primeira vitória frente às vizinhas ibéricas do Vila-sana, em dois jogos, enquanto que as miúdas do Stuart estrearam-se na prova com uma derrota na casa das vice-campeãs espanholas do Palau Plegamans, mas considerando que são apuradas as duas primeiras dos quatro grupos de três formações, tudo está ainda em aberto. Vamos até à Taça de Portugal, sendo que deixei ao vosso critério a abordagem a estes dezasseis avos de final. Quem começa?”.

“Eu”, avançou a RODINHAS. “A nossa tática foi eu fazer uma análise genérica a toda a eliminatória, o OLHA ficou com os jogos de sábado, enquanto que o ALÉU esteve a guardar-se para as partidas de domingo e vai ser ele a começar”.

“Vamos lá a isto. Realizaram-se seis jogos que tiveram a curiosidade de todas as equipas forasteiras terem ganho. A única apurada da Segundona foi o Candelária que teve que suar em Alcobaça, só passando para a frente do marcador na parte final e em duas situações de superioridade numérica. Das outras formações apuradas – todas da Primeirona – os leões lisboetas foram os tiveram maiores dificuldades, no pavilhão Monte Santos, em Sintra, onde sei que o Tio já muito feliz”.

“Confirmo!”.

“Depois de chegar aos três golos de vantagem, a meio da segunda metade a malta da casa reduziu para a diferença mínima, mas o Sporting marcou logo de seguida e acabou com a resistência sintrense”.

“Agora sou eu, que fui nitidamente prejudicado…”, gozou o OLHA “… pois no sábado tivemos dez jogos. Por aqui tivemos duas vitórias caseiras, que coincidiram com os dois tomba-gigantes, mas disso já falará a RODINHAS. Em Ponte de Lima tivemos um dos jogos mais equilibrados, sem golos na primeira metade, mas onde na segunda parte os alenquerenses foram, um bocadinho, mais fortes. Já em Vale de Cambra tivemos o único jogo decidido para lá do tempo normal, sendo mesmo preciso penáltis, onde os famalicenses marcaram os únicos dois do desempate e não ganharam para o susto. Para fechar estive em Espinho, com o Murches a começar melhor, os da casa conseguiram dar a volta ao marcador, um final frenético e o favorito a cair da Taça para fora”.

“Para fechar este capítulo, a grande maioria dos jogos foram desequilibrados, mas tivemos dois tomba-gigantes, com a eliminação do Carvalhos – último classificado da Primeirona – na Parede, e do Murches como explicou o OLHA. Para terminar, de referir que já não há equipas sem derrotas nas provas oficiais, depois do Marítimo dos Açores e o Tojal terem sido eliminados nestes dezasseis avos de final da Taça de Portugal”, concluiu a RODINHAS.

“Muito bem, excelente trabalho. Está na altura de irmos descansar, mas antes sabem que dia é hoje?”.

“16 de janeiro do Asdrúbal”, gritaram os três.

“Excelente, já aprenderam, até sábado”.

Eles saíram rapidamente, mas ainda os ouvi dizer: “Se não podes vencê-lo, junta-te a ele”.

A irreverência da juventude versus a loucura do sexagenário.

A SACADA desta semana teve origem na Taça de Portugal, quinze golos marcados em Paredes, com destaque para o guarda-redes local Diogo Vale (10).

Eliminar uma equipa de um escalão superior, na Taça de Portugal, é sempre um feito relevante.

Marcar o golo decisivo para que isso aconteça, fica na história de um jogador, neste caso de Vasco Casanova (AA Espinho) que por esse motivo leva O VELHO desta semana.  

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