Olá, Somítico da Televisão


(18/11/2023) Ainda no início deste mês falava aqui em datas importantes, para já hoje voltar ao assunto. Na altura referia meses e dias felizes, mas, infelizmente, nem todos estão dentro desses parâmetros.

Precisamente neste dia, há dezoito anos, despedia-me do meu Pai, depois de uns meses angustiantes, onde a única dúvida era perceber qual a data que vamos recordar para sempre, com tristeza e saudade.

Foi ele que me ensinou a gostar de futebol, foi com ele que aprendi a ser organizado e metódico, foi também por causa dele que nasceu o gosto de ouvir rádio, quando me deixava utilizar o seu somítico para ouvir um relato de futebol no seu pequeno transístor a pilhas.

Boas recordações do meu Velho interrompidas pela chegada da rapaziada do hóquei.

“Bom dia Tio”.

“Bom dia juventude, tudo bem?”.

“Sempre em grande, mas parece-me que tu é que não estás bem”, afirmou a RODINHAS, com a sua perspicácia feminina.

“Estava aqui a relembrar-me de uma traquinice minha, porque hoje faz anos que foi o funeral do meu Pai”.

Silêncio respeitoso do lado de lá.

“Então, já sabem que faz parte da nossa vida. Ele faleceu há 18 anos, acho que cedo demais, mas a vida será sempre normal quando os mais velhos partirem primeiro”.

“Já agora conta lá que marotice era essa a que te referiste há pouco?”, pediu o OLHA.

“Nada de grave, mas muito arriscado, pois se a minha Mãe descobrisse que eu estava de volta do rádio, em vez de estar a dormir, os estalos eram certos”.

“Mas qual rádio?”, questionou o ALÉU.

“Calma, vou explicar. Em 1972 Portugal participou na Minicopa, uma prova organizada pelo Brasil para comemorar os 150 anos da sua independência. Por essa altura a única maneira de acompanhar a prova era com o pequeno rádio do meu Pai, mas os jogos começavam tarde, pelo que eu ia buscá-lo à sua gaveta, às escondidas, mais o somítico, enfiava-me debaixo dos cobertores e ouvia o relato, sempre com o cuidado de não poder adormecer, pois tinha que devolver o pequeno equipamento à gaveta antes de alguém dar por isso”.

“Falaste num somítico, isso é o quê?”, perguntou o ALÉU.

“É um pequeno auricular usado num só ouvido”.

“Bolas, nunca tinha ouvido falar dessa prova”, exclamou a RODINHAS.

“Natural, eu só tinha 13 anos”, afirmei eu com um sorriso.

“Já agora, apesar de não gostares de falar aqui de futebol, conta-nos lá como se portou a nossa seleção”.

“Como se trata da seleção vamos lá a isto. Tivemos um brilhante comportamento, nesta prova que foi uma espécie de Mundial, com Portugal na primeira fase de grupos a vencer o Equador (3-0), Irão (3-0), Chile (4-1) e República Irlanda (2-1), passámos em 1º lugar, depois no segundo grupo, vencemos a Argentina (3-1), empatámos (1-1) com o Uruguai e batemos a União Soviética (1-0), pelo que chegámos à final da competição com o Brasil, onde perdemos (1-0), com um golo no último minuto, num Maracanã com 100 mil espetadores”.

“Bolas, que pena”, desabafou o OLHA. “Quem era o treinador?”.

“José Augusto, antigo jogador do Benfica. Uma seleção que tinha o Eusébio, já em final de carreira, Humberto Coelho, Toni, Peres, Jordão, Nené e Artur Jorge, entre outros grandes craques”.

“Antes de terminarmos o assunto, quem eram os guarda-redes portugueses?”, quis saber o ALÉU.

“José Henriques, o conhecido Zé Gato, era o titular, mais Damas e Mourinho Félix, esse mesmo, o pai do José Mourinho”.

“As coisas que eu aprendi hoje”, riu-se a RODINHAS.

“Explica-me só uma coisa. Porque é que o auricular se chamava somítico?”, perguntou o OLHA.

“Porque um somítico é aquele que não gosta de partilhar, ou seja, neste caso só ele é que ouvia. Bem vamos lá à nossa agenda para o fim de semana. Com a época já mais avançada, vamos começar a olhar para alguns jogos, em vez de nos dedicarmos só, exclusivamente, às competições. O OLHA vai estar atendo às partidas do HC Braga e Murches na Taça WSE – a Liga Europa do hóquei – eu vou dedicar-me à receção do Benfica aos nabantinos, com uma volta pela Terceirona, a RODINHAS vai até ao Pico para a visita do Parede, mas antes passa pela Feira para ver como se porta a malta de Viana, enquanto que o ALÉU vai assistir à visita das miúdas do Benfica a Turquel, olhando também para a Feminona. Todos de acordo?”.

“Simmmmm…”, reagiram os três à Ronaldo.

“Mas não penses que te safas sem nos dizer o que é o almoço hoje”, brincou o OLHA.

“Nada de especial, o tempo continua quente, quando estamos a cinco semanas do Natal, pelo que hoje, diretamente do Camponês, chegam uns lagartos com migas de espargos”.

“Muito bom”, sublinhou a RODINHAS.

“Bolas, até fiquei com fome de repente”, riu-se o OLHA.

“Até terça-feira juventude”.

“Adeus Tio”, despediram-se eles.

Primeira etapa desta semana terminada, está na altura de ir fazer uma boa salada de alface, cebola, couve-roxa e coentros para acompanhar a carne do porco preto.

Hoje no FORA DO BANCO temos um treinador que, como o Marco Paulo, também tem dois amores: o hóquei e o jornalismo.

Nome Completo: Pedro Caeiro Gonçalves

Clube atual: Sport Alenquer e Benfica

Idade: 32 anos

Local de Nascimento: Cascais

Prato preferido: Lasanha

Melhor local para viver: Cascais

Livro que está na mesa de cabeceira: Dois, A Religião Woke e A Arte Subtil de Dizer ‘Que se Foda’

O filme que já viu mais do que uma vez: Kill Bill

Jogou hóquei em patins? Se sim, em que clube(es): GDS Cascais e AJ Salesiana

Como/quando chegou a opção de ser treinador: Desde muito cedo. Tirei o curso nível I com 15 anos, sempre senti um talento e gosto por organizar, liderar, agregar e orientar

Clubes/seleções que já treinou: Parede FC e Sport Alenquer e Benfica

Mais fácil treinar equipas da formação ou seniores: Seniores

Quanto tempo demora a preparar o próximo jogo da sua equipa: A contar com treinos, cerca de 10/11 horas, sem treinos, cerca de 5 horas

Se pudesse, que regra alteraria no hóquei em patins: A obrigatoriedade de ser livre direto sempre que há um cartão azul com o jogo em andamento. O livre direto deveria ser atribuído com base na zona onde ocorre a falta e não na sanção disciplinar

Maior tristeza como treinador: A época 2022/2023 no Parede FC

E, claro, a maior alegria: Subida de divisão no Parede FC e título de Campeão Nacional da segunda divisão

Para terminar, o que mais o irrita durante um jogo: Jogadores, treinadores, árbitros, ou adeptos que desvirtuam o jogo com protestos, simulações, agressões ou provocações. A emoção do jogo não pode justificar tudo. Somos um país e uma modalidade muito atrasada em termos de cultura desportiva e temos de mudar a nossa postura em campo.

(20/11/2023) Mais uma semana que arrancou, sendo que a segunda-feira é o dia para olharmos para a última jornada da Primeirona pela voz do AMAGADINHO, que nos traz uma forma diferente de olharmos para a prova.

Na hora combinada ele chegou ao meu monitor.

“Boa noite Tio”.

“Boa noite, tudo bem?”.

“Tirando a pouca vontade de estudar, está tudo bem. Eu sei que é preciso, mas gosto mais de desporto”.

“Mas tu tens boas notas!”.

“Mas não significa que eu goste de estar de volta dos livros e apontamentos”, riu-se ele.

“Vamos analisar a jornada nove?”.

“Sim, mas antes deixa-me fazer-te uma pergunta?”.

Já cá faltava!

“Venha ela”.

“Considerando apenas a designação principal do clube, qual é a letra que mais vezes se repete no início do nome? Atenção que tem que dar uma resposta rápida”.

As coisas que este miúdo inventa.

“Fácil, é o B”.

“Muito bem. Já agora, e a segunda?”.

“A segunda… acho que não há mais nenhuma que se repita”.

“Há sim, o T”.

“Pois é, Turquel e Tomar”.

“Sobre esta jornada, que ficou coxa em dois jogos, destaco a primeira derrota dos nabantinos, o empate em Famalicão num duelo entre minhotos, além da goleada no Dragão. Vamos lá à minha meia dúzia, com o Carvalhos sempre na frente (3 pontos), 2º lugar para o Riba d’Ave (5), seguidos do Turquel (8), Braga (9), Murches e Pacense com 11 pontos.

“Temos ALMOFADA esta semana?”.

“Nem pó, esta semana fica na minha casa. Antes de me despedir, só mais uma perguntinha para o Tio”.

Pensei que hoje já estava safo.

“Vamos a isso”.

“Quantas vezes uma equipa já venceu por dez ou mais golos nesta temporada?”.

“Ena pá, essa é difícil… duas vezes?”.

“Foi quase Tio, três! Até para a semana”.

“Adeus AMAGADINHO”.

Que imaginação tem este miúdo.

(21/11/2023) Na tarefa de criação das minhas conversas com os três jovens, mosqueteiros do hóquei em patins, vou sempre espreitar quais as comemorações que se celebram no dia dos nossos encontros, ou nas suas imediações.

Para esta terça-feira encontrei duas celebrações, uma delas bem curiosa, que vai com certeza ser um bom tema de conversa para o fora da caixa.

Jantar finalizado, um gelado para a sobremesa e liguei o portátil, com eles a chegarem poucos minutos depois.

“Boa noite Tio”.

“Boa noite juventude”.

“Viste aquela limpeza da nossa seleção, dez jogos, dez vitórias”, riu-se de forma provocatória a RODINHAS.

“Tu sabes que que eu não gosto de falar de futebol por aqui, mas como é a nossa seleção, eu desculpo-te”.

“Mas as outras seleções eram fraquinhas”, afirmou o OLHA.

“Isso são pormenores”, repliquei eu. “Vocês sabiam que hoje é o Dia Mundial do Olá e o Dia Mundial da Televisão?”.

“Do olá?”, questionou o ALÉU.

“Verdade, o objetivo é dizer olá a 10 pessoas diferentes, uma forma de promover o contacto entre as pessoas e a paz”.

“Acho muito bem”, sublinhou a RODINHAS. “Um grande olá para todos”, brincou ela.

“Quem teve a ideia?”.

 “Ela surgiu em 1973, na sequência da guerra de Yom Kipuur entre árabes e israelitas, por ação de dois professores universitários norte-americanos da Universidade do Arizona, atualmente é celebrado em mais de 180 países”.

“Eu cá já digo olá todos os dias a alguém”, explicou o OLHA.

“E fazes muito bem. Mas hoje também se comemora a caixa que mudou o Mundo”.

“Já tenho pensado como seria a vida quando não havia televisão”, gozou o ALÉU.

“Vocês sabem que eu só tive uma em casa perto dos sete anos? Os meus Pais não tinham dinheiro, pois na altura era um produto caro, por isso só no final de 1966 é que chegou a primeira à minha casa”.

“Tio, quando tu nasceste já havia televisão por cá?”, questionou a RODINHAS com uma enorme gargalhada.

“Hoje estás muito marota. A televisão em Portugal começou em 1957, eu nasci dois anos depois, mas a cores, regularmente, só em 1980”.

“Então tinha razão, ela chegou antes de ti”.

“Mas foi por pouco”.

“Por acaso no outro dia estava a ver uma reportagem e descobri que a emissão regular a cores começou com o Festival da Canção”, explicou o OLHA.

“Verdade. Em 1975 começaram alguns programas as cores, de forma esporádica, mas só nesse dia é que o preto e branco terminou. Já agora, sabem quem venceu o certame nesse ano?”, perguntei eu.

Silêncio profundo do lado de lá.

“Podiam já ter lido ou ouvido nalgum lado. Ganhou o José Cid com Um grande, grande amor. Bem, está na hora de deixarmos a música e a televisão, para dizermos olá ao hóquei”.

“Esse foi um belo lançamento”, brincou a RODINHAS. “Gostei tanto que vou começar eu que estive no Municipal Fernando Quintino, em Santa Maria da Feira, num jogo daqueles que o AMAGANDINHO não gosta. Com mais azuis do que golos, a equipa da Princesa do Lima ficou com os três pontos, fruto de um golo solitário do jovem colombiano Thomas Molina. Depois saltei para o Pavilhão dos Desportos da Candelária – onde o Tio já esteve várias vezes – onde a coisa não foi melhor em termos de golos, pois tivemos apenas mais um, só na segunda parte, redundando num empate que fez cair o Parede para o 2º lugar, ultrapassado pela equipa B do Benfica, que como se sabe não pode subir de escalão”.

“Muito bem. A mim calhou-me estar na Luz onde tivemos uma partida emotiva, mas com pouca qualidade, vitória justa com uma diferença exagerada, com muito rigor disciplinar, pois num jogo correto tivemos sete azuis e onze amarelos, como eu chamo às admoestações verbais”.

“Além de dois golos esquisitos, um que entrou e não contou, outro que entrou e não devia ter contado”, afirmou o OLHA.

“Verdade, já percebi que também viste o jogo. Como sempre digo, apitar um jogo de hóquei, sobretudo pela sua velocidade, é muito difícil. Está na hora de implementar o VAR na modalidade, como já foi experimentado no início desta época. Agora é a tua vez”.

“Eu estou muito satisfeito, pois as duas equipas portuguesas apuraram-se para os oitavos de final da Taça WSE. O Murches fez o pleno, enquanto que HC Braga perdeu um jogo, com os italianos do Follonica, passando à fase seguinte no 2º lugar do grupo”, concluiu ele.

“Mais uma excelente prestação das formações lusas. Há pouco esqueci-me, mas agora vou dar uma vista de olhos pela Terceirona, que também estava na minha agenda, começando por informar que Tojal e Marítimo dos Açores são as únicas equipas sem derrotas, sendo que os insulares só têm vitórias. Na série A o Lavra está na frente, após a primeira derrota do Limianos em Fânzeres, na B temos o Leiria e Marrazes a liderar, já na C são os bês de Alenquer e Turquel que comandam, enquanto que na série D é o Sporting B que está no 1º lugar, depois do primeiro desaire do Stuart Massamá. Para terminarmos esta semana, só falta ouvirmos o ALÉU”.

“Eu estive na Aldeia do Hóquei onde tivemos um jogo entre as finalistas da Feminona da época passada, mais uma vez uma excelente partida, as encarnadas estiveram sempre na frente, mas nos minutos finais as aldeãs emproaram-se, mas já não foram a tempo de evitar a derrota, enquanto que nas restantes séries, Gulpilhares e Académica da Feira lideram, também sem derrotas, à semelhança do Benfica”, finalizou ele.

“Pronto, mais uma semana terminada”.

“Tio, antes de nos despedirmos, só dizer que me armei em AMAGADINHO, passei os olhos pelos resultados de sexta-feira a domingo no site, e descobri que sete equipas venceram marcando 10 golos, com quatro sem sofrer nenhum”, explicou a RODINHAS.

“Será alguma maldição?”, questionou, a rir, o OLHA.

“Isso não sei, mas que é uma bela sacada, disso não tenho dúvidas”.

“Se calhar é por causa de Portugal ter ganho dez em dez partidas no apuramento para o Europeu’24”, gozou o ALÉU.

“Quem sabe se não é um cruzamento dos astros, pois parece que estamos a chegar a uma Lua Cheia”, brinquei eu com uma enorme gargalhada. “Bem, altura de nos despedirmos até sábado”.

“Adeus Tio”, despediram-se eles, saindo rapidamente da minha vista, numa boa altura para eu ir fazer oó.

Foi no Pavilhão da Luz que fomos descobrir a SACADA desta semana, uma partida da Feminona que rendeu dezassete golos, com destaque para Rita Diogo (12), guarda-redes do APAC Tojal.

Para fechar a Crónica de hoje viajamos até ao Municipal de Valongo.

Uma partida resolvida na parte final, depois da rapaziada de Paços de Ferreira ter estado a vencer por dois golos.

Aí surgiu Carlos Ramos, mais conhecido por Carlitos, que além de ter aberto as hostilidades logo no início do encontro, fez um hat-trick fundamental para a vitória da sua equipa, e, claro, fica com O VELHO desta semana.

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