Duas Rodas Com Azulejos


(18/05/2024) Ainda há duas semanas estava por aqui a falar de silêncio, importante para muitas pessoas, mas que não faz muito parte da minha maneira de estar.

Talvez por isso, um grande amigo que ganhei aqui em Oriola, também ele oriundo da zona de Lisboa, esta semana ofereceu-me um azulejo – sim, já está aqui ao lado do portátil, pendurado na parede – onde está escrito Cala-te Só Um Bocadinho.

Inicialmente eu pensei que o Eduardo Sérgio estava aborrecido comigo, por eu não me calar, mas depois percebi que para uma pessoa extremamente inteligente como ele, esta deve ser uma forma que encontrou para que eu continue a falar, só porque gosta muito de me ouvir.

Já sei, já sei… por esta altura já vocês perguntaram por várias vezes, porque raio a história de um azulejo para iniciar esta Crónica?

Amigos, por aqui nada é por acaso, pois hoje é o Dia Internacional dos Museus, que foi organizado pela primeira vez em 1977 com o objetivo de sensibilizar a sociedade civil para a importância dos museus enquanto meio fundamental de intercâmbio e enriquecimento de culturas, desenvolvimento da compreensão mútua, cooperação e paz entre os povos.

Quem aproveitou esta data foi o Município de Estremoz – cidade muito ligada ao hóquei em patins – que lançou um percurso cultural denominado Rota do Azulejo que vai decorrer no dia de hoje, e que me inspirou para este início de hoje.

Não vou deixar cair os azulejos – para não se partirem – e lançarei o tema já de seguida, quando eles chegarem à minha vista, o que vai acontecer dentro de segundos.

“Bom dia juventude”.

“Bom dia Tio”, devolveram eles. “Estás com cara de caso, acho que vem por aí qualquer coisa para nos provocar”, riu-se a RODINHAS.

“Miúda, estás cada vez mais perspicaz”.

“Espero que não seja nada muito exigente, porque esta semana foi dura”, referiu o OLHA.

“Desde que não seja fazer versos, tudo bem”, brincou o ALÉU.

“Já vi que acertei no dia, porque percebi que estão muito criativos. Tudo gira a volta do azulejo, por isso quero que vocês escrevam uma frase a ver comigo para escreverem num, que me vão oferecer de forma virtual. Que tal?”.

“Já vi na internet, mas precisamos de tempo para isso”, refilou a RODINHAS.

“Claro que sim, eu pensei nisso, pelo que daqui a quinze minutos voltamos a reunir-nos, com cada um de vocês a oferecer-me um azulejo imaginário com uma frase espetacular”, gozei eu.

“Pode ser uma crítica?”, brincou o ALÉU.

“Eu estou de espírito aberto. Até já”.

Eles saíram rapidamente, o quarto de hora esgotou-se num ápice e surgiram os três com um olhar triunfal.

“Então, já construíram os vossos azulejos?”.

“Sim”, a confirmação chegou como um grito à Cristiano Ronaldo.

“Muito bem, quem quer começar?”.

“Posso ser eu”, avançou a RODINHAS. “Antes de desvendar o meu, uma informação. Nós não conversamos entre nós sobre isto, portanto cada um está por sua conta. A minha frase para o azulejo é… O Que é o Almoço Hoje?”, riu-se muito ela.

“Sim, a tua não podia fugir muito disso”, confirmei eu.

“A minha é Esquece o Relógio Por Uns Segundos, perfeita, acho eu, para quem é tão pontual”, explicou o OLHA.

“Um defeito perfeccionista, desculpem o elogio”, referi eu.

“A responsabilidade de ficar para o fim e escolher Quando é Preciso Estás Lá, uma boa imagem da tua disponibilidade, principalmente nos momentos mais difíceis”, concluiu o ALÉU.

Fiz um silêncio, porque fiquei emocionado.

“Então Tio, limpa lá essa lágrima”, pediram eles com um sorriso.

“Vocês são um espetáculo! Azulejos guardados no meu coração, vamos lá ao Plano de Festas que esta semana é da minha responsabilidade. O AMAGADINHO continua com a Primeirona, numa altura em que arrancam os quartos de final, o OLHA fica com a Segundona a norte, a RODINHAS olha para a zona sul, eu vou focar-me no fecho de mais uma fase da Feminona, enquanto que o ALÉU vai estar atento à Terceirona. Entretanto, muito fruto do azulejo que a RODINHAS me ofereceu, fiquem a saber que o almoço hoje vem do Camponês, um belo coelho á caçador que a Sandra faz questão de vir com duas cabeças, uma para cada um de nós”.

“Não ligo muito a essa parte do bicho”, referiu o ALÉU.

“O miúdo é esquisito, não gosta de puré de batata, não gosta da cabecinha do coelho, não me digas que também não gostas de caracóis?”, perguntou o OLHA.

“Já sabes que eu não gosto nada desses bichos”, riu-se ele.

“Cá para mim marcha isso tudo”, brincou a RODINHAS.

“Assim é que miúda, estou como tu, desde que não sejam favas! Pessoal, até terça-feira”.

“Adeus Tio, até lá”.

A pé ou de bicicleta? Peguei nas pernas e fui buscar o almoço, pois assim não entorno o molho.

Poveiro de gema, jogador e treinador de uma só camisola, do alto dos seus quase dois metros está no FORA DO BANCO esta semana.

Nome Completo: Rubén Daniel Santos Fangueiro

Clube atual: Clube Desportivo da Póvoa

Idade: 40 anos

Local de Nascimento: Póvoa de Varzim

Prato preferido: Francesinha

Melhor local para viver: Póvoa de Varzim

Livro que está na mesa de cabeceira: Histórias de Princesas da Disney, para adormecer a minha filha

O filme que já viu mais do que uma vez: 300 e 7 Pecados Mortais

Jogou hóquei em patins? Se sim, em que clube(es): Clube Desportivo da Póvoa

Como/quando chegou a opção de ser treinador: Já fui treinador das camadas jovens do clube e depois fui convidado a ser treinador dos seniores

Clubes/seleções que já treinou: Clube Desportivo da Póvoa

Mais fácil treinar equipas da formação ou seniores: Mais fácil treinar seniores

Quanto tempo demora a preparar o próximo jogo da sua equipa: Muitas horas

Se pudesse, que regra alteraria no hóquei em patins: Sem dúvida os guarda-redes não poderem sair da área respetiva nas bolas paradas

Maior tristeza como treinador: Derrota em Paços Ferreira, no minuto final, deixámos de depender só de nós e fez com que não chegássemos ao play-off de subida.

E, claro, a maior alegria: Subida de divisão, logo a seguir à pandemia

Para terminar, o que mais o irrita durante um jogo: Perceber que falhei alguma abordagem, ou os jogadores falharem em situações que alertamos várias vezes durante a semana.

(20/05/2024) Ele aceitou o desafio e o AMAGADINHO vai olhar para a fase final da Primeirona, agora que arrancaram os quartos de final da prova.

“Boa noite miúdo”.

“Olá Tio, está tudo bem?”.

“Tudo em grande. Então e que tal estes primeiros jogos?”.

“Boas partidas, quase todas muito equilibradas, exceto uma e começo já pela visita dos valonguenses à Luz, um jogo que me irritou, porque como tu sabes bem, não gosto de resultados em que só uma equipa marca, ainda por cima com sete golos de diferença e um poker de Roberto di Benedetto, um dos três irmãos da mesma família presentes nesta prova”.

“Verdade, ele tem um irmão gémeo, o Bruno (Oliveirense) e o Carlo (FC Porto), este é o mais velho do trio, mas nesta altura tem todos 27 anos, pois nasceram todos em maio, mas o Carlo nasceu a 31 deste mês. Tu sabes a naturalidade dos pais deles?”.

Já há muito tempo que ele não trazia uma pergunta para mim.

“Por acaso não sei”.

“O mais curioso desta história é que eles são internacionais franceses, a Mãe é espanhola e o Pai italiano, daí o apelido. Mas deixemos esta família bem interessante para irmos até aos outros três jogos, todos eles decididos pela diferença mínima, mas com o fator casa a ser preponderante. O líder da fase regular esteve sempre na frente do marcador, mas sofreu alguns sustos na parte final no jogo, no João Rocha as duas equipas verde-e-brancas queriam ficar em vantagem, mas um golo em cima do buzinão deu vantagem à casa-mãe, enquanto que em Oliveira de Azeméis os forasteiros minhotos estiveram três vezes na frente do resultado, mas um hat-trick de livres diretos de Lucas Martínez, na segunda metade, confirmou o favoritismo de quem jogava no seu rinque”.

“A coisa promete, sendo que 4ª e 5ª feira temos os segundos jogos, podendo tudo ficar já resolvido, ou teremos os terceiros confrontos no fim de semana. Uma coisa é certa, na próxima segunda-feira já saberemos quem vai estar nas meias-finais”.

“Isso é certinho”.

“Já me esquecia, temos ALMOFADA?”.

“Temos sim, a última desta época, que vai para a Daniela Araújo (Gulpilhares) que sofreu cinco golos na derrota frente ao Benfica, a única miúda que levou a branquinha esta temporada. Um abraço e até segunda”.

“Adeus AMAGADINHO, porta-te bem”.

(21/05/2024) Sempre que começo cada dia de conversa da treta, olho para o calendário para saber a quantas ando, que dias se comemoram, quem nasceu ou partiu e há quantos anos.

Como em tudo na vida, há desportos de que gosto mais do que de outros, mas o ciclismo é daqueles que está no topo das minhas preferências, talvez por ter acompanhado, como jornalista, várias provas da modalidade, desde o Troféu Joaquim Agostinho – onde me estreei – até à Volta a Portugal, passando pela Volta ao Alentejo, competições onde minha paixão pelas duas rodas aumentou.

Numa altura em que decorre a Volta a Itália, descobri que o ciclista inglês Mark Cavendish faz hoje 39 anos, nasceu na Ilha de Man, ela que faz parte do conjunto geográfico das Ilhas Britânicas, um arquipélago do noroeste da Europa que se situa no meio do mar da Irlanda, aproximadamente equidistante do oeste da Inglaterra, do sul da Escócia e do leste da Irlanda do Norte.

O sprinter britânico estará a fazer a sua última temporada, havendo a curiosidade de perceber se ele consegue bater o recorde do belga Eddy Merckx, pois os dois venceram 34 etapas da Volta a França, Cavendish queria tentar em 2023, mas uma queda fê-lo desistir da prova e este ano ele vai tentar a sua vitória mais importante no Tour.

Os barulhos habituais e anunciadores da chegada da malta do hóquei surgiram no meu portátil.

“Boa noite Tio”.

“Boa noite juventude, tudo em forma?”.

“Sim”, confirmaram eles.

“Antes de irmos a nossa agenda de trabalho, uma pergunta. Vocês gostam de ciclismo?”.

“Há vezes vejo na televisão, mas não percebo muito daquilo”, riu-se a RODINHAS.

“Eu sou fã, sempre que tenho tempo vejo, principalmente a nossa Volta e o Tour”, referiu o OLHA.

“Eu gosto muito, este ano até estou a pensar ir ver a Vuelta que começa em Portugal”, afirmou o ALÉU.

“Muito bem. E vocês têm ciclistas preferidos?”.

“Eu não sei o nome dele, mas admiro muito aquele dinamarquês com cara de miúdo pequeno”, riu-se a RODINHAS.

“Deve ser o Jonas Vingegaard”, referi eu.

“Esse mesmo!”.

“Tenho uma grande admiração pelo esloveno Tadej Pogacar, acho que é um grande ciclista, sempre ao ataque, estando a dar uma banhada na concorrência no Giro”, riu-se o OLHA.

“Cá para mim, eu gosto muito do nosso João Almeida, mas o melhor é o belga Remco Evenepoel, também um ciclista que nunca se resguarda”, afirmou o ALÉU.

“Já vi que vocês são uns barras em ciclismo, mas agora vamos pegar nos patins. Quem quer começar hoje?”.

“Posso ser eu”, avançou o OLHA. “Na Segundona, na zona norte, está confirmada a descida do Paredes, enquanto que a Académica da Feira, com menos um jogo, está muito perto da despromoção, já na luta pelo lugar na liguilha, tudo na mesma, com a Juventude Viana a partir para a derradeira jornada com mais um ponto que a malta da Póvoa de Varzim”.

“Vou já avançar para a zona sul onde o Parede aproveitou, e bem, a derrota do vizinho Paço de Arcos no Casablanca, tendo agora dois pontos de avanço, ficando bem mais perto de marcar presença nos dois jogos de promoção, enquanto que do lado oposto da tabela, a rapaziada do Seixal e Vila Franca de Xira já caíram para a divisão abaixo”, finalizou a RODINHAS.

“Chegou a vez do ALÉU que esteve de olho na Terceirona”.

“Vamos lá a isto, na série A o Lavra garantiu os jogos de luta pela subida e está tudo arrumado, nas séries B e D os foguetes já tinham estalado anteriormente, enquanto que na C também já tivemos festa em Alcobaça, carimbada que está a subida de divisão, com o Sporting de Torres a confirmar a presença na liguilha, o que quer dizer que com uma jornada por disputar está tudo resolvido na Terceirona”, concluiu ele.

“Verdade, uma última ronda para cumprir calendário. Já na Feminona terminou a Prova 2, ficando encontrados os jogos dos oitavos de final, com o CENAP x Vila Boa do Bispo, com o vencedor a defrontar o Benfica nos quartos de final, Física x Escola Livre, aqui é a Sanjoanense à espera, jogos do lado esquerdo do quadro, já do outro temos o Stuart Massamá x Gulpilhares, quem ganhar joga com o Turquel, e por último Académica x Tojal, enquanto que a Académica da Feira fica à aguardar o seu adversário, sendo que todos os jogos até à final serão sempre à melhor de três. Mais uma semana de trabalho finalizada, parece-me uma boa altura para nos despedirmos até sábado”.

“Adeus Tio, até lá”.

Portátil encerrado, o caminho para a caminha é sempre em frente.

Na ressaca da festa do título europeu, os leões receberam a filial de Tomar, grande equilíbrio durante toda a partida, o prolongamento espreitava do topo do João Rocha quando um penálti de Nolito Romero (Sporting) – a 2 segundos do fim – desfez o nó em que estava a partida, merecendo, na minha opinião, O VELHO desta semana.

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