Cavalo de ferro


Enquanto olhava para o relógio da estação de Alverca, lembrava-me das centenas de vezes que lá apanhei o comboio.

Foi assunto a semana passada com a minha juventude, mas não há muitos que tomem esta atitude, ou seja, terem garagem no local de trabalho para estacionar, mas mesmo assim optar por ir em transportes públicos.

Esta foi a minha maneira – ainda é hoje – de me manifestar contra a crise climática, pois não basta protestar, é preciso executar.

O comboio chegou a horas, em Lisboa apanhei o Intercidades que lá estava silenciosamente à minha espera.

Ao domingo de manhã o movimento é reduzido.

Comi o meu habitual rissol de camarão, acompanhado por uma jola, subi para o trem, carruagem 21, lugar 55, sempre o meu local no cavalo de ferro.          

Lentamente ele começou a resvalar nos carris, deixou para trás Lisboa e poucos minutos depois estava a sobrevoar o rio Tejo, uma paisagem que a ponte 25 de abril nos oferece, sempre impressionante.

Olhei para o relógio e percebi que estava na altura de ligar o portátil e fazermos a nossa reunião, numa altura em que o trem parava em Fernando Pó.

Segundos depois eles surgiram do nada.

“Bom dia Tio”.

“Bom dia juventude”.

“Que olheiras são essas Tio”, perguntou a RODINHAS, com um sorriso maroto.

“Então miúda, ontem foi um dia longo”, tentei eu desculpar-me.

“E a viagem está a correr bem?”, quis saber o ALÉU.

“Uma maravilha. Acabámos de parar em Pegões”.

“Mas esse comboio pára em todas as estações e apeadeiros?”, perguntou o OLHA.

“Ao fim de semana é assim, tem paragens que não acontecem nos dias úteis. Alguma questão fora da caixa?”.

“Claro Tio. Hoje começa o Mundial de futebol”, afirmou o ALÉU.

“Eu tenho uma dúvida. Escreve-se Catar ou Qatar?”, perguntou a RODINHAS.

“Uma excelente questão agora que vamos parar em São João das Craveiras. Confesso que me irrita quem escreve Qatar, pois este é o nome escrito em inglês, mas na nossa maravilhosa língua é Catar!”.

“Bolas Tio, estás zangado”, brincou ela.

“Claro. Imagina que a prova era na Alemanha. Alguém por cá escreveria que o Mundial era na Germany!”, desabafei eu.

“Tens toda a razão”, reforçou o OLHA.

“Bem, vamos lá a isto. Daqui a pouco estamos a chegar a Casa Branca e tenho que mudar de comboio”.

“A residência oficial do Biden”, brincou o ALÉU.

“Essa foi boa, mas hoje é dia de olharmos para a Taça de Portugal e a sua pré-eliminatória, quatro jogos, um para cada um”.

“Combinado Tio”, confirmaram os três em uníssono.

Para mim, o Intercidades parou pela última vez.

Agora é seguir até Vila Nova da Baronia no velhinho Regional.                                 

Com vontade de comer uns ovos moles, o GPS este domingo vai até ao distrito de Aveiro, onde vai encontrar a União Desportiva Oliveirense, coletividade que fez 100 anos no dia 25 de outubro.

O município de Oliveira de Azeméis perdeu 3,5% da sua população nos últimos dez anos, registando pouco mais de 66000 habitantes no final do ano passado.

Saindo da Invicta, faz os cinquenta quilómetros, nas calmas, em bem menos de uma hora, podendo tratar do estômago no Épico Restaurante.

Segundo as críticas é épico!

De regresso ao quartel-general de Oriola, pensava naquilo que foi o jogo de ontem em Sintra

Como dizia o Ricardo quando cheguei a casa dele, “Estás um pé frio para o Alenquer”, mas ele está a exagerar, pois já fiz diversos jogos e muitas vezes venceram.

Como eu costumo dizer, eu nem sei patinar, por isso a minha responsabilidade nas vitórias, empates e derrotas é zero!

Olhei para o relógio, ainda faltavam alguns minutos para a hora da nossa reunião, pelo que aproveitei para me sentar no quintal, numa altura em que o sol já desapareceu, há muito, neste horário de inverno.

Há pouco lia em rodapé numa televisão que o Mundial que hoje começou era o primeiro que realizava no inverno.

Percebo a ideia, mas se quisermos ser rigorosos ele vai ser realizado no outono, pois quando chegar a estação mais fria do ano já saberemos quem é o campeão do Mundo.

Inevitavelmente que o Catar’2022 seria tema de conversa para hoje, por isso quando eles chegaram eu já estava preparado.

“Boa noite Tio”.

“Boa noite juventude”.

“Viste o primeiro jogo do Mundial?”, perguntou a RODINHAS.

“Ena pá, que pressa, ainda não estamos fora da caixa”, esclareci eu com um sorriso aberto.

“Desculpa Tio, foi o entusiasmo do arranque, mas a cerimónia de abertura foi engraçada”.

“Gostei, apesar de várias recusas de cantores, foi um arranque interessante. Já que estamos no assunto, o que acharam do jogo inicial?”.

“Não me pareceu grande coisa, os cataris são uma equipa fraca que dificilmente conseguirá pontuar”, opinou o OLHA.

“O primeiro jogo numa prova tão curta, por vezes inibe os jogadores, mas também me pareceu que o Catar é uma formação muito débil”, concordou a RODINHAS.

“E bisou o Valencia, que é onde mora a tua filha, mas sem o acento”, brincou o ALÉU.

“Pois é, bem observado. Marcar o primeiro golo de um Mundial é importante, mas marcar dois ainda é mais, ele que joga na Turquia na equipa de Jorge Jesus. Vamos lá fechar este espaço e começar com o hóquei em dia de Taça. Quem quer começar?”.

“Eu”, avançou o OLHA. “Gosto dos jogos que se decidem da marca da grande penalidade, como aconteceu em Boliqueime. A malta do Tojal começou melhor, permitiu o empate, mas um Renato de cada lado, levou o jogo para prolongamento onde ninguém conseguiu marcar, sendo que no gesto técnico de desempate os algarvios foram mais eficientes”.

“Boa, também gosto dessa adrenalina. Vou despachar o meu jogo, nesta pré-eliminatória, zona norte, calhou-me uma partida nas Colmeias, casa do Águias, que esteve sempre na frente, não dando oportunidade ao velhinho Académico de seguir em frente, com a curiosidade dos Santos e dos Marques terem faturado todos os golos dos da Memória. Vamos lá ao próximo”.

“Posso ser eu”, avançou a RODINHAS. “Eu fui até ao Alentejo, de que o Tio tanto gosta. Em Santiago do Cacém, os forasteiros de Nafarros, mesmo ali ao lado de Sintra onde narraste ontem, estiveram sempre por cima do marcador, vieram mais felizes e seguiram em frente na prova”.

“Mais nada, normal nas provas a eliminar. Só falta o ALÉU”.

“Exatamente, eu que estive focado no jogo que decorreu em Gulpilhares, dominado pelos da casa, mas com a outra equipa, a rapaziada de Cucujães, que conseguiu um feito não muito vulgar, ou seja, não marcar nenhum golo e ainda levou cinco para casa”.

“Não é muito habitual, tens toda a razão. Bem, está na altura de irmos descansar, até porque vem por aí uma semana mundialmente intensa”.

“Belo trocadilho Tio. Até para a semana”, despediram-se os três.

“Até sábado”, respondi, enquanto me ajeitava para ir descansar. 

Estes fins de semana estão a ser muito exigentes.

No FORA DO RINQUE de hoje temos mais um alentejano que não liga muito ao futebol.

Nome Completo: Bernardo António Machado Mendes

Clube atual: Hóquei Clube Patinagem de Grândola (HPCG)

Alcunha (se tiver): Zaias

Idade: 22 anos

Local de Nascimento: Beja

Clube estrangeiro futebol: Real Madrid

Jogador português futebol: Não tenho

Jogador estrangeiro futebol: Não tenho  

Jogador de outra modalidade, português ou estrangeiro: Não tenho

Prato: Miolos com carne de porco alentejana

Sobremesa: Arroz Doce 

Bebida: Gin

Filme: Hobbit

Ator: Não tenho

Atriz: Não tenho

Série televisiva: Prison Break

Livro: As intermitências da morte

Cidade portuguesa: Grândola

Cidade estrangeira: Não tenho  

Animais de estimação: Cadela / Gato 

Jogo de computador/consola: League of legends

Hobbies: Não tenho

Outra modalidade desportiva, se não fosse o hóquei: Andebol

Aquele momento ou jogo, de hóquei, que nunca vais esquecer: HCPG subir para a 1ª divisão nacional.

A SACADA deste domingo tem quatorze golos no seu interior, todos obtidos em Fânzeres, com o destaque para os guarda-redes locais Simão Loureiro (7) e Alexandre Pinto (1).

Nem sempre quem toma a conta da baliza consegue O VELHO.

Mas este domingo, Francisco Costa (Boliqueime), defendeu dois livres diretos durante a partida, mas não satisfeito, não sofreu nenhuma das cinco das grandes penalidades do desempate.

Muito bem entregue o prémio de hoje.

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