A enésima vez em Monte Santos


Este sábado o nosso encontro vai ser diferente.

Com o hóquei sempre no topo das preferências, hoje estou em Alverca, para mais logo à tarde rumar até Sintra.

Antes de lá chegar, juntei o útil ao agradável.

A noite passada – em Vila Franca de Xira – foi altura de rever antigos companheiros de trabalho num habitual jantar natalício, mas onde já não marcava presença há alguns anos.

Sempre marcante é reencontrar antigos colegas, sendo que alguns deles foram os primeiros que tive há quarenta anos.

Com aquela frase feita na cabeça: “O tempo passa muito depressa”, regressei ao mundo do aléu.

Devido ao facto de ter deixado o Alentejo mais longe, combinámos encontrarmo-nos os quatro em casa do OLHA, para depois irmos todos almoçar juntos.

Toquei à campainha.

“Olá Tio, já tinha saudades tuas”, saudou-me ele.

“Olá OLHA. Estás sozinho?”.

“Verdade, eles devem estar a chegar. Já escolhi um restaurante para irmos almoçar. Vamos ao Motorista”.

“Boa, vou voltar a ver o meu amigo Edgar. E já sei o que vais comer. Bifinhos à mexicana”.

“Acertaste à primeira!”.

“Foi fácil, lá comes sempre a mesma coisa”.

“E o Tio um belo bitoque, daqueles cheios de molhenga”.

“Muito provavelmente…”, com a minha confirmação interrompida pelo toque da campainha.

“São eles”, afirmou o OLHA.

“Bom dia juventude. Chegaram atrasados”.

“Bom Tio. Desculpa, mas apanhámos muito trânsito para um sábado de manhã”, explicou a RODINHAS.

“Tudo bem, mas vamos despachar-nos pois a mesa do restaurante está marcada para daqui a meia-hora. Vamos andando e combinamos lá o nosso trabalho para hoje”.

Comigo a conduzir lá fomos os quatro, numa manhã solarenga, mas fria.

Um forte abraço ao Edgar à chegada, sentamo-nos na mesa que já estava preparada.

“Alguém tem algum assunto para o fora da caixa de hoje?”, perguntei eu, já depois de termos escolhido o que íamos comer.

“Eu queria saber a tua opinião sobre as declarações do Marcelo Rebelo de Sousa”, pediu o ALÉU.

“Já calculava. O problema do nosso Presidente é que fala de mais e de tudo, mesmo do que não lhe perguntam. Na primeira abordagem acho que esteve mal, mas no dia seguinte retificou e percebeu-se o que queria dizer”.

“Mas achas que protocolarmente não devia ir ninguém ao Catar?”, questionou a RODINHAS.

“Acho que não. Apoiar a seleção é uma coisa, política é outra. O país já violava os direitos humanos quando foi escolhido em 2010 para organizar a prova, recordo-me de se falar de corrupção na escolha, mas não ouvi ninguém a levantar estes problemas. Agora resta-nos jogar bem e trazer o caneco”.

“Isso é que era”, riu-se o OLHA.

“O almoço deve estar a chegar. Sobre o menu para hoje, eu faço, obviamente, o jogo em Sintra, vocês podem escolher dois jogos da 2ª divisão e um da 1ª que está em atraso. De acordo?”.

“Certo Tio, eu já sei que um que vamos acompanhar é o derby das equipas B”, avançou a RODINHAS.

“Boa ideia, mas agora vamos arrumar o aléu e pegar na faca e no garfo”.

Este bife é mesmo bom, pensava eu, enquanto degustava de um belíssimo dois toques

Hoje o GPS viaja até ao distrito do Porto para olharmos para o União Sport Clube Paredes, coletividade fundada em 1924, muito perto de se tornar centenária.

O concelho de Paredes tinha um pouco mais de 84000 habitantes no final do ano passado, registando um decréscimo de 2,9% nos últimos dez anos.

Partindo do Porto chega lá em trinta minutos, vai até à Rua de Cepeda e almoça ou janta no Restaurante O Brouas.

Atenção que encerra à terça-feira.

O pavilhão onde estive hoje na narração, estará para sempre na minha memória, mais que não seja porque lá passei dois anos enquanto o Ricardo lá jogou.

Como já sabem, eu não sou friorento, mas o recinto de Monte Santos, principalmente na época de inverno, é uma verdadeira arca frigorífica, envolvido que está por um belo arvoredo.

Nesse tempo valia-me o bar climatizado e a simpatia da Luísa e do Ramiro, que nos dias de hoje já não estão lá, mas que por lá permaneceram muitos anos. 

Gostámos tanto do almoço, que combinámos voltar a reunirmo-nos à volta da mesa.

Quando lá cheguei já eles estavam sentados à minha espera.

“Tio, estávamos à tua espera para escolher”, explicou o OLHA, enquanto me dava a ementa para a mão.

“Não me digas que vais comer bitoque?”, perguntou a RODINHAS entre duas gargalhadas. 

“É uma boa sugestão…”, exclamei eu, enquanto me ria com vontade “… mas vou variar”.

Jantar escolhido, combinámos comer primeiro e falarmos de trabalho na altura do café.

“Bela refeição”, afirmámos os quatro em simultâneo e sem termos ensaiado.

“Vamos lá saltar para dentro do rinque. Posso começar pelo jogo onde gritei sete golos, uma partida muita equilibrada, oportunidade para rever velhos amigos, vitória justa dos da casa, por coincidência a primeira derrota dos alenquerenses que enviaram a liderança para Turquel”, terminei eu. “Avançamos para o ALÉU”.

“Eu estive no derby das equipas bês, uma jogatana entretida, mas os encarnados, mesmo com menos um estiveram sempre na frente do resultado”.

“Quem se segue?”.

“Posso ser eu”, começou a RODINHAS. “Na Parede a quadra é muito grande, os da casa costumam ser mais fortes, mas hoje a malta de Valongo não marcou muito, mas fez o suficiente para ir a festejar até casa”.

“Para terminar, vamos lá ao jogo que o OLHA esteve a ver”.

“Golos com fartura em Santa Maria da Feira, parece que ninguém queria vencer, mas acabou com a vitória a sorrir aos estudantes”. 

“Tivemos hoje uma jornada com elevado nível de exigência. Não me lembro de terminarmos isto já no dia seguinte, mas ainda bem que daqui a pouco é domingo”, conclui eu.

“Até amanhã Tio”.

“Até amanhã juventude”.

Desta vez fui eu que corri para a cama. 

No FORA DO BANCO desta semana temos um homem do Norte que se deixou seduzir pelo Alentejo.

Nome Completo: Nélson Manuel Barbosa Mateus

Clube atual: Hóquei Clube Patinagem de Grândola

Idade: 41 anos

Local de Nascimento: Massarelos – Porto

Prato preferido: Bacalhau à Gomes Sá 

Melhor cidade para viver: Vila Nova de Santo André

Livro que está na mesa de cabeceira: Antes que o café arrefeça

O filme que já viu mais do que uma vez: Top Gun

Jogou hóquei em patins? Se sim, em que clube(es): Estrela de Santo André, Vasco da Gama, GDS Cascais e HCP Grândola 

Como/quando chegou a opção de ser treinador: Chegou por convite, em Cascais, quando estava a tirar a minha licenciatura em Educação Física

Clubes/seleções que já treinou: Vasco da Gama, Cascais e HCP Grândola

Mais fácil treinar equipas da formação ou seniores: Formação

Quanto tempo demora a preparar o próximo jogo da sua equipa: Neste momento 30 minutos

Se pudesse, que regra alteraria no hóquei em patins: Não reduziria o tempo de ataque como vai acontecer na próxima época

Maior tristeza como treinador: Não ter subido à 1ª divisão como treinador principal

E, claro, a maior alegria: Ter ajudado o HCP Grândola a chegar à 1ª divisão

Para terminar, o que mais o irrita durante um jogo: Perceber que os meus jogadores não ouvem nada do que ficou pré-estabelecido e depois chegam ao campo e cometem erros para os quais estavam avisados.

Nem sempre acontece A SACADA acontecer em dois locais distintos.

Mas os treze golos ocorridos em São João da Madeira levam o destaque para Tiago Freitas que sofreu oito tentos.   

O VELHO de hoje vai premiar um coletivo.

Uma equipa que marca oito golos, autoria de cada um dos intervenientes – guarda-redes à parte – merece usufruir desta distinção.

Ele já está a dormir na Candelária.

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