Alentejana com amêijoas


Existem afilhados e afilhadas.

Digamos que oficialmente tenho uma, celebrada com uma cerimónia católica em Alverca, mas insularmente tenho mais três, todos nascidos nos Açores.

Depois existem aqueles que resultam das universidades ou – como foi o caso do Eduardo – por os acolhermos na nossa comunidade.

Este fim de semana tenho por Oriola a Catarina, com a companhia do Simão – o seu namorado – que aproveitou uma folga nos estudos de Direito para conhecer o nosso cantinho alentejano.

Com os bilhetes esgotados para ontem, o comboio só os trouxe hoje para aproveitarem o fim de semana alargado.

A Princesa foi buscá-los a Vila Nova da Baronia e eu antecipei a nossa reunião matinal, até porque eu vou fazer o almoço.

Portátil ligado, foi uma questão de segundos para eles aparecerem no monitor.

“Bom dia Tio”, cumprimentaram os três.

“Bom dia juventude. Desculpem ter antecipado a nossa reunião matinal, mas daqui a pouco está a chegar a minha afilhada e hoje é a minha vez de tratar da nossa refeição. Quem é que tem algum assunto fora da caixa?”.

“Antes disso, podemos saber o que vais fazer para o almoço?”, perguntou a RODINHAS com a sua curiosidade feminina.

“Não há segredos, vai ser uma carne de porco à alentejana”.

“Não é um prato difícil de confecionar?”, quis saber o OLHA.

“Nada disso, até é bastante fácil. Já percebi que querem saber a receita e então cá vai ela. Na minha opinião o segredo está no tempero, que deve ser feito de véspera. A carne de porco – eu gosto de comprar do cachaço – deve ser cortada em pedaços pequenos, temperada com alhos laminados, louro, sal, massa de pimentão e vinho branco, tudo bem misturado. Daqui a pouco vou colocar azeite e óleo numa panela, junto a carne, que anteriormente já escorri do molho, depois acrescento essa marinada, juntando na parte final as amêijoas, que tempero com sumo de limão e coentros frescos. No final temos aqui uma bela refeição acompanhada de batatas fritas aos cubos”.

“Tio, que suplício, já me estou a babar”, brincou o ALÉU. “Quando formos aí na próxima vez tens de nos fazer essa carne”.

“Fica combinado. Vamos lá ao programa de festas para hoje, mais uma vez com a 2ª divisão, pois a Primeirona continua parada neste período de preparação para o Mundial. Eu e a RODINHAS ficamos com dois jogos a Norte, enquanto que vocês os dois vão patinar a Sul. De acordo?”.

“Na boa Tio. Até mais logo”, confirmaram os três, enquanto desapareciam da nuvem informática.

Vamos lá tratar do almoço.

O GPS de hoje viaja até ao distrito de Setúbal para conhecer o Grupo Desportivo de Alfarim, coletividade fundada em 1976.

A aldeia de Alfarim pertence à freguesia do Castelo – concelho de Sesimbra – que nos últimos dez anos aumentou em termos populacionais 6,1%, registando no final do ano passado pouco mais de 20200 habitantes.

Saindo de Lisboa chega lá numa hora, podendo rumar até à Praia do Meco onde poderá tomar uma boa refeição no Restaurante Dom Ricardo.

Toda a gente adorou.

A carne de porco à alentejana estava ótima e todos repetiram.

Foi uma tarde bem engraçada com boa disposição e muitos golos, tanto nos relvados, como nos rinques.

Fomos dar uma volta na aldeia com a Catarina e o Simão, dediquei-me ao jogo que me calhou e jantámos uma canja, bem portuguesa, acompanhada de uma pizza, bem italiana, duas seleções que vão estar no Mundial.

Um trocadilho interessante, pois nem sempre a criatividade chega para mais, pensava eu, enquanto regressava à minha cadeira em frente ao portátil.

A conjugação dos resultados no futebol durante a tarde, perspetivava que eles iam chegar muito entusiasmados ao monitor, mas não esperava tanto.

“Boa noite Tio. Tu viste aquela exibição?”, começou o OLHA.

“Que jogatana!”, exclamou a RODINHAS 

“Podiam ter sido mais”, gritou o ALÉU.

“Boa noite juventude. Então, estão a falar de que jogo? O fora da caixa é só antes de almoço”.

“Tens razão Tio, mas depois de uma jogatana daquelas na Catedral, não é fácil manter a calma. Não te esqueças que os flavienses tinham ganho em Alvalade e na Pedreira!”, referiu o OLHA.

“Bom, vamos lá ao nosso trabalho, neste sábado de muitos golos. Quem começa?”.

“Vou ser eu. Estive muito atenta ao que se passou em Paredes, uma partida vertiginosa com onze golos só na primeira parte e com os da casa a chegarem na frente ao intervalo. Mas parece que gastaram os golos todos na primeira metade, pois na parte a descer do jogo os azuis começaram a sair do bolso dos árbitros e só marcaram os forasteiros”, terminou a RODINHAS.

“Boa análise. Gostei do facto de um jogo ter uma parte a subir e outra a descer, nunca me tinha lembrado disso. Vamos dar voz ao ALÉU”.

“A miúda está em grande”, riu-se ele. “Bem, eu estive em Oeiras, um jogo excelente entre dois candidatos à subida, os picarotos entraram muito fortes, mas a segunda metade dos oeirenses enviou o jogo para um empate que chegou perto do fim”.

“Vou aproveitar para avançar como o meu jogo, que decorreu em Coimbra. Foi uma partida com poucos golos e com a curiosidade de seis lances de bola parada terem sido inviabilizados pelos guarda-redes. Para terminar tudo empatado, apenas um golo, aproveitando a dica da RODINHAS, na parte a descer. Vamos acabar os jogos de hoje com OLHA”.

“Eu fui até à terra dos fenómenos, que conseguiram mais um na tarde de hoje. Estiveram sempre em desvantagem, parecia que não ia chegar a primeira vitória, mas dois golos perto do fim deram os primeiros três pontos aos ferroviários alvi-negros”.

“Muito bem rapaziada. Amanhã quem vai fazer o almoço é a Princesa, pelo que regressamos ao nosso horário habitual. Por falar em horário, não se esqueçam que esta noite temos que atrasar os relógios uma hora, para quem não tem um Esperto”.

“Até amanhã Tio”, e eles sumiram rapidamente.

Quem bom, esta noite dormimos mais uma hora.

Gostou de aqui estar como jogador, mas no FORA DO BANCO de hoje está de apito e prancheta.

Nome Completo: Rafael Filipe Cardoso Curto

Clube atual: Hóquei Clube de Braga

Idade: 29 anos

Local de Nascimento: Fão

Prato preferido: Picanha

Melhor cidade para viver: Coimbra

Livro que está na mesa de cabeceira: Segredos da mente milionária

O filme que já viu mais do que uma vez: O Rei Leão

Jogou hóquei em patins? Se sim, em que clube(es): HC Fão e Académica de Coimbra

Como/quando chegou a opção de ser treinador: No clube da minha terra (Fão), quando me desafiaram a frequentar o curso de treinador aos 16 anos 

Clubes/seleções que já treinou: HC Fão, Académica de Coimbra, Óquei Clube de Barcelos e Hóquei Clube de Braga

Mais fácil treinar equipas da formação ou seniores: Depende do contexto

Quanto tempo demora a preparar o próximo jogo da sua equipa: A preparação geral começa no 1º dia de treino da época. Depois poderá ser necessário ajustar uma ou outra situação dependendo do contexto, mas norma geral as minhas equipas não trabalham de maneira diferente porque vamos defrontar equipa x ou y. O trabalho é continuo…

Se pudesse, que regra alteraria no hóquei em patins: Contagem dos 5 segundos nos penáltis e LD, considero mais justo ao apito

Maior tristeza como treinador: Quando algum atleta meu se lesiona gravemente e deixa de poder fazer o que mais gosta, infelizmente já passei por alguns casos

E, claro, a maior alegria: Consideração e reconhecimento dos meus atletas/ex-atletas

Para terminar, o que mais o irrita durante um jogo: Espetadores que gostam de ser protagonistas.

A SACADA deste sábado aconteceu no Monte Santos, em Sintra, com dezoito golos marcados e destaque para Rogério Silva (5) e Nuno Teixeira (11), os dois guarda-redes utilizados pelo Marítimo de Ponta Delgada. 

Marcar o golo da vitória é importante.

Marcar o golo da vitória no último minuto ainda sabe melhor.

Se juntarmos a estas duas informações que foi um poker do Ricardo Ramos Piolho, (Académica Espinho), parece-me que O VELHO de hoje está bem entregue.

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