Cem anos depois


Depois de vários dias em que a chuva foi marcando o quotidiano por aqui – o que nos últimos meses tem sido raro – regressou o tempo mais quente.

A discussão é sempre entre o que nos faz falta – a chuva – e a falta que nos faz o sol, sendo que eu sou fã da primeira vaga, pois para mim o ideal era uma temperatura de vinte graus durante todo o ano, com seis meses a chover.

Como isto não é como cada um gostava, vamo-nos governando com o que vai surgindo no dia a dia, mas sempre com os calções e os chinelos na indumentária diária, com uma parte de cima que tem manga ou não, enquanto por casa o tronco nu vai-me fazendo companhia no teclado.

Regressei há pouco de tomar um café com a Princesa, sentei-me frente ao portátil e aguardei que eles surgissem no monitor.

Minutos depois surgiram um a um.

“Bom dia Tio”, foram chegando as suas saudações matinais.

“Bom dia RODINHAS”.

“Bom dia ALÉU”.

“Bom dia OLHA. Estão com olhos de sono, parece-me que ontem, quando se deitaram, já era hoje”, lancei eu a questão.

“Sim, mas só uns minutinhos. Em período escolar nós não abusamos”, explicou ele.

“Muito bem, essa deve ser a atitude. Alguém tem algum assunto fora da caixa?”.

“Tio, quem era aquele senhor que morreu hoje com 100 anos?”, perguntou o ALÉU.

“Estás a falar do Adriano Moreira?”.

“Esse mesmo”.

“Foi essencialmente um professor académico, politicamente de direita, foi ministro do Ultramar, quando ainda era muito jovem, do regime de Salazar, mas, na minha opinião, um homem íntegro e que sempre respeitou a democracia formada em Portugal depois de Abril. Há semanas, Marcelo Rebelo de Sousa prestou-lhe homenagem quando ele fez 100 anos e afirmou: O verdadeiramente fascinante em Adriano Moreira é que, há muito, entrou na História apesar de toda a sua vida ter sido feita de desencontros históricos. Chegou sempre cedo demais ou tarde demais a esses encontros”. Acho que esta frase do nosso presidente da República explica o que foi a vida dele. Bem, já são horas de almoço, vamos lá avançar com isto. Como aconteceu no domingo passado, só temos jogos da 3ª divisão, pelo que cada um de nós fica com um”.

“O Tio hoje não tem jogo do Oriolenses?”, perguntou a RODINHAS.

“Não, hoje estou de folga, depois explico porquê. Até logo juventude”.

“Ok Tio, fica combinado. Até logo”, despediram-se os três enquanto desapareciam da minha vista.

No GPS deste domingo vamos até à zona Oeste para encontrarmos o Hóquei Clube das Caldas, coletividade fundada em 1991.

O município das Caldas da Rainha – muito conhecido pela sua louça irreverente – perdeu 1,6% da sua população nos últimos dez anos, sendo que no final de 2021 tinha quase cinquenta e um mil habitantes.

A viagem desde de Lisboa demora pouco mais de uma hora, segue até ao Imaginário, nos arredores da cidade e vai encontrar a Adega do Albertino.

Não é um restaurante barato, mas a qualidade é excelente, onde já degustei um belo almoço, durante um Troféu Joaquim Agostinho, na companhia do Amigo Zé Maurício que já partiu.

Confesso que um domingo, assim, sem uma narração, não tem sido o habitual nos meus últimos trinta e muitos anos da minha vida.

Os relatos radiofónicos entraram na rotina há muito tempo, com interrupções temporais, curtas, mas quando eu e Princesa resolvemos vir morar para o Alentejo, a minha ideia era arrumar o microfone, pelos menos aqui na zona.

Mas cedo descobriram o meu bichinho pelo jornalismo, e a narração nunca acabou, realmente, por parar.

Por isso este dia de hoje foi uma anormalidade na normal sequência de jornadas distritais do clube da minha aldeia.

Enquanto eu digeria estes pensamentos pessoais, olhei para o relógio e a nossa hora estava a chegar.

Liguei o portátil, ativei a aplicação e eles ali estavam.

“Boa tarde Tio, pensávamos que te tinhas esquecido de nós”, sublinharam os três em simultâneo.

“Bolas, que susto! Que bem afinadinhos que vocês estão. Desculpem lá os segundos de atraso, mas estava aqui envolvido nos meus pensamentos”, expliquei.

“Tio, explica lá porque não foste fazer a narração hoje”, quis saber a RODINHAS.

“Não houve nenhum problema. O jogo do Oriolenses hoje era em Évora, no velhinho Campo Estrela, casa do Lusitano, para a Taça Dinis Vital. O relvado não está em boas condições e o clube eborense pediu o adiamento da partida, que ficou remarcada para o próximo domingo, mas aqui em Oriola, aproveitando o facto de na próxima semana o campeonato ter uma paragem. Explicação efetuada, vamos lá à nossa ordem de trabalhos. Quem inicia as hostilidades?”.

“Se não se importam começo eu, até porque preciso de ir ver o que se passa com o telemóvel da minha Avó”, explicou o OLHA. “Eu estive em Galegos onde o líder da Terceirona, mais a norte, tinha uma deslocação difícil, mas quem tem um Folhetas irrequieto arrisca-se a ganhar mais vezes”.

“Pois é, o Rui Silva está muito forte, vamos lá ver se ainda não falamos dele hoje outra vez. Quem se segue?”.

“Agora sou eu”, avançou o ALÉU. “Eu fui até ao teu Alentejo, uma partida onde se discutia o primeiro lugar da zona mais a sul. Não tivemos surpresas, foi um jogo discutido ao minuto, com os forasteiros sempre em vantagem, mas tudo terminou empatado”.

“Caso para dizer, grandes empatas. RODINHAS vamos lá ao jogo que acompanhaste”.

“Tio, eu acabei por estar atenta a dois jogos, para perceber se na Zona B alguém perdia os primeiros pontos da época. Um decorreu ontem nas Colmeias, onde a malta de Oliveira do Hospital – que esta época mudou de nome – venceu, enquanto que esta tarde, no Lordelo do Ouro, chegou a resposta do Sobreira com uma enorme coincidência: os dois líderes venceram pelo mesmo resultado”.

“Bolas, é caso para me repetir, outros grandes empatas, não dentro do rinque, mas na prova. Bem, apesar de termos combinado esta manhã que o nosso trabalho era sobre a Terceirona, acabei por me dedicar ao único jogo da 2ª divisão, no périplo açoriano do Turquel. A rapaziada da Aldeia do Hóquei não leva boas recordações, pois em 6 pontos possíveis regressou apenas com um, igualando os alenquerenses no topo da tabela, apesar da diferença de jogos disputados, o que vai ser uma constante durante toda a época. Juventude, mais um fim de semana despachado, sábado regressamos às nossas conversas”.

“Forte abraço Tio e beijinhos”, despediram-se eles com uma grande festa.

Ainda agora saíram da minha vista e já tenho saudades deles.

No FORA DO RINQUE deste domingo temos um minhoto, que gosta de um bom Cozido – como eu – mas fiquei com uma dúvida.

Com água?

Nome Completo: Carlos Alberto Antunes Rodrigues

Clube atual: Centro de Actividades Recreativas Taipense (CART)

Alcunha (se tiver): Não tenho

Idade: 31 anos

Local de Nascimento: Guimarães

Clube estrangeiro futebol: Liverpool

Jogador português futebol: Luís Figo

Jogador estrangeiro futebol: Ronaldinho Gaúcho

Jogador de outra modalidade, português ou estrangeiro: Hélder Nunes

Prato: Cozido à Portuguesa

Sobremesa: Bolo de bolacha

Bebida: Água

Filme: Velocidade Furiosa

Ator: Não tenho

Atriz: Não tenho

Série televisiva: Não tenho

Livro: Não tenho

Cidade portuguesa: Aveiro

Cidade estrangeira: Barcelona

Animais de estimação: Cão

Jogo de computador/consola: FIFA

Hobbies: Praticar desporto, estar com os amigos

Outra modalidade desportiva, se não fosse o hóquei: Futebol americano

Aquele momento ou jogo, de hóquei, que nunca vais esquecer: Jogo em que nos sagrámos campeões nacionais.

A SACADA deste domingo aconteceu no José Mário Cerejo – onde já fui muito feliz – em Vila Franca de Xira.

Quinze golos obtidos com o destaque para Diogo Vieira (GC Odivelas) que sofreu treze.

O critério para atribuir O VELHO não tem regras rígidas.

Percebe-se que por vezes os golos ficam mais baratos, mas quem marca sete golos num jogo merece a distinção.

Hoje ele vai para Hernâni Domingos (Vilafranquense).

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