Diga trinta e três


Cheguei alguns minutos antes da hora combinada.

Entrei na sala, acendi a luz e ia tendo um ataque de coração.

“Parabéns Tio”, berraram os três, enquanto pulavam à minha volta.

“Bolas! Que susto. Estamos a festejar o quê?”, perguntei eu.

“Pensavas que não sabíamos? A Tia mandou-nos uma mensagem”, confidenciou a RODINHAS.

“Ah foi? A marota! Muito obrigado juventude. Já lá vão 33 anos de vida em comum. Quem é que quer sugerir o tema fora da caixa para hoje?”.

“Eu gostava que tu nos contasses um bocadinho dessa história de Amor”, pediu o ALÉU.

“Bem, isso não estava no programa”, tentei eu argumentar.

“Vá lá Tio, conta lá”, quase implorou o OLHA.

“Hoje, eu e a minha Princesa, chegámos ao número do Senhor Doutor”, comecei eu.

“Isso quer dizer o quê?”, questionou a RODINHAS.

“Há muitos anos, quando não existiam os meios de deteção de hoje, o médico pedia ao paciente para encher o peito de ar e dizer 33. Esta expressão provocava a vibração no pulmão, que se estivesse repleto de fluido – como fica quando alguém está com uma pneumonia – o médico conseguia perceber com as pontas dos dedos”.

“Nunca tinha ouvido semelhante explicação”, confessou o ALÉU. “Continua lá Tio”.

“Não sei se vocês sabiam, mas eu era casado quando conheci a Célia. Não é uma coisa bonita, quando a vi pela primeira vez em cima de um muro, percebi que era com aquela miúda que eu queria passar o resto da minha vida”.

“Em cima do muro!? O que é que ela estava lá a fazer?”, perguntou o OLHA.

“Nós estávamos numa formação na Rádio 2000 em Alverca. O Jorge Pinto, um nosso colega, era um brincalhão e sentou a Célia no alto de um muro que rodeava a Casa da Juventude. Eu, como bom cavalheiro, fui em socorro da donzela, que por acaso estava bem bronzeada e com uma saia curta”, expliquei eu com um sorriso maroto.

“O Tio era malandreco”, brincou a RODINHAS.

“Eu não sabia, mas nesse dia começou uma grande paixão. Nesta altura era fim do verão de 1988. Muitas peripécias depois, faz hoje esses 33 anos em que dormimos pela primeira vez em casa da Avó da Célia, que nos ofereceu um teto para ficarmos. Os primeiros anos foram muito difíceis, mas quando lutamos por um objetivo comum, as dificuldades vão-se atenuando. Só para terem uma ideia, dormimos perto de seis meses nuns colchões de campismo no chão do nosso quarto improvisado”.

“Vida dura!”, riu-se a RODINHAS.

“Mas eu já vi fotografias no Facebook do vosso casamento”, afirmou o OLHA.

“Sim. A 4 de dezembro de 1993 casámos, mas quando chegarmos ao próximo aniversário dessa data, eu conto mais pormenores. Agora deixemo-nos de memórias e vamos ao trabalho. A RODINHAS fica com a 2ª divisão, o ALÉU com a 1ª e o OLHA com o resto. Arranjem lá histórias giras”, pedi eu.

“Até logo Tio”, gritaram eles a caminho da rua.

O GPS de hoje vai até à Vila Morena.

Por lá encontramos o Hóquei Clube Patinagem de Grândola, coletividade que adotou este nome em 2009.

Partindo da capital, em setenta e cinco minutos está nesta vila alentejana – do distrito de Setúbal – que nos últimos dez anos perdeu 6,8% da sua população, registando no final de 2021 pouco mais de 13800 habitantes.

Quando chegar a altura de dar ao dente, além do Bar do Pavilhão, onde tem sempre várias opções, pode optar pelo Restaurante O Cruzamento.

Mesmo que tenha que esperar na fila.

O último PALPITE DO TIO foi para o jogo entre OC Barcelos e UD Oliveirense, onde apostei numa vitória (4-2) dos da casa, com golos de Miguel Rocha e Luís Querido, enquanto que nos visitantes vão faturar Marc Torra e Tomás Pereira.

Como este jogo termina mais tarde, amanhã faço o rescaldo deste e daquele que aí vem.

O próximo PALPITE DO TIO vai para o derby nacional, a partida entre Sporting e Benfica.

Na 1ª volta os encarnados venceram (4-3), sendo que no Pavilhão João Rocha acredito que a turma de Nuno Resende pode repetir a vitória, desta vez por 3-5.

Em relação aos marcadores, Ferran Font, Alessandro Verona, Pablo Álvarez e Gonçalo Pinto vão marcar – digo eu – nesta partida que começa amanhã às 5 e meia da tarde.

“Boa noite juventude”, saudei eu quando cheguei à sala.

“Boa noite Tio”, responderam eles, muito calmos e com os olhos nos livros colocados à sua frente.

“Vocês chegaram cedo”.

“Pois foi, mas aproveitámos para ler os nossos livros”.

“Fizeram muito bem. Vamos lá às nossas tarefas. Quem é que quer começar?”.

“Posso começar eu”, avançou o OLHA. “Mas antes queria fazer uma pergunta que me esqueci esta amanhã. Sempre vamos a Sesimbra na próxima semana?”.

“Nesse assunto falamos amanhã. Começa lá com a tua análise”.

“Certo. Estive muito atento a Gijón, onde se jogava a final a quatro da Liga Europeia feminina. Já se sabia que uma formação espanhola estaria na final, mas queríamos uma portuguesa no jogo decisivo, que não foi possível por causa de um golo da Berta. Também fui espreitar o arranque do play-off helvético, com Dornbirn e Diessbach a começarem melhor. Cheira-me que vamos ter um D no nome do campeão suíço esta época”.

“Agora posso ser eu”, afirmou o ALÉU. “Como a maioria dos jogos da 1ª divisão começou há pouco, fiquei um pouco sem assunto. Por isso fui espreitar os campeonatos dos mais jovens, mas por lá esteve tudo dentro da lógica, ou seja, ganharam os mais fortes. Regressando ao primeiro escalão, hoje temos uma final na Parede e os homens da Marinha Grande conseguiram três pontos bué importantes, nesta luta a quatro pela manutenção”.  

“Bem, só falta a RODINHAS. Vamos lá a isso miúda”.

“Aproveitando aqui a dica do meu colega, também no Pico se joga mais logo uma final, mas com olhos na subida. No resto do dia da 2ª divisão não tivemos nada de muito importante. Com HC Maia, Vilafranquense e Alverca já despromovidos, lá por cima as coisas estão quentes. A Norte resume-se a duas equipas – e um ponto a separá-las – já a Sul temos uma formação quase na 1ª divisão, mas a luta pelo lugar de play-off está ao rubro. Recuperados os jogos em atraso, vamos ficar com uma visão mais clara da realidade”.

“Estou totalmente de acordo. A idas aos Açores e os adiamentos por causa do Covid, criou um cenário de enorme suspense. Trabalhos terminados, amanhã estamos de regresso. Até amanhã”.

“Até amanhã Tio”.

Especialista em Inter-Regiões, por mera coincidência, está no FORA DO RINQUE quando o seu clube está no GPS.

Nome Completo: Lara Filipa das Dores Santos

Clube atual: Hóquei Clube Patinagem de Grândola

Alcunha (se tiver): Não tenho

Idade: 17 anos

Local de Nascimento: Setúbal

Clube estrangeiro futebol: Não tenho

Jogador português futebol: Cristiano Ronaldo

Jogador estrangeiro futebol: Darwin Núñez

Jogador de outra modalidade, português ou estrangeiro: Marlene Sousa

Prato: Lasanha

Sobremesa: Salada de frutas

Bebida: Água

Filme: Velocidade furiosa

Ator: Vin Diesel

Atriz: Angelina Jolie

Série televisiva: Não tenho

Livro: Não tenho

Cidade portuguesa: Lisboa

Cidade estrangeira: Madrid

Animais de estimação: Cão

Jogo de computador/consola: FIFA

Hobbies: Jogar consola

Outra modalidade desportiva, se não fosse o hóquei: Futebol

Aquele momento ou jogo, de hóquei, que nunca vais esquecer: Todos aqueles momentos decisivos durante um jogo.

Acho que fica na memória de um atleta, neste caso de sub-13.

O Hóquei Clube da Mealhada venceu o FC Porto em Fânzeres.

Só tivemos um golo, obtido por Simão Carvalho aos 59 segundos de jogo.

Para ele segue O VELHO de hoje.

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