Felicidade improvável


Contrariamente ao que aconteceu ontem, hoje cheguei mais cedo.

Enquanto olhava para o calendário dos jogos para hoje, eles apareceram.

“Bom dia Tio”, saudaram os três.

“Bom dia juventude. O que temos hoje para falar nesta manhã de domingo?”, perguntei eu.

Silêncio na sala.

“Então não há nenhum assunto que queiram falar?”.

“Só se fala em guerra, andamos muito preocupados”, referiu o OLHA. “Como é possível haver gente tão má?”.

“Tens toda a razão, é o assunto que domina o nosso dia a dia. Tenho uma sugestão para desanuviar esta tristeza que nos marca a todos. Sabem que dia é hoje?”.

Segundo silêncio do dia.

“Hoje é o Dia Internacional da Felicidade”, afirmei eu.

“Isso existe?”, perguntou a RODINHAS.

“A felicidade ou o dia?”, brinquei eu.

“O dia, Tio”.

“Existe sim senhor. Foi em 2013 que se comemorou pela primeira vez, depois de no ano anterior a proposta ter sido aprovada por unanimidade pelos 193 estados-membros da ONU, defendendo que a busca pela felicidade é um objetivo humano fundamental”.

“Mas quem é que teve a ideia de haver um Dia da Felicidade?”, quis saber o ALÉU.

“A criação deste dia foi uma sugestão do Butão, um pequeno reino budista que fica situado nos Himalaias. Por lá adotaram na estatística oficial a Felicidade Nacional Bruta em vez do Produto Interno Bruto”.

“Engraçado. As coisas que o Tio sabe!”, brincou o OLHA.

“O Dr. Google não falha. O que é que vos fazia aumentar o vosso nível de felicidade?”.

“Sem dúvida que o fim da guerra em todo o Mundo”, afirmou o ALÉU.

“A mim, que não houvesse crianças que passam fome”, explicou a RODINHAS.

“Eu ficava imensamente feliz se não houvesse pessoas más”, lamuriou o OLHA.

“Infelizmente, são desejos muito difíceis de concretizar, mas a nós resta-nos fazer a nossa parte. Bem, vamos lá ao plano de trabalhos para hoje. Cada um de vocês acompanha um jogo, à vossa escolha, enquanto eu vou-me dedicar aos mais jovens”.

“Combinado Tio. Até logo”.

Já fora da sala ainda os ouvia, lá ao fundo do corredor, a falarem do conceito de felicidade.

O GPS deste domingo precisa de viajar de avião para chegar até à Pérola do Atlântico, a ilha da Madeira.

Lá vamos encontrar o Club Sport Marítimo, também conhecido como os Leões do Almirante Reis, clube centenário fundado em 1910, dias antes da implantação da República em Portugal.

O concelho do Funchal perdeu 5,4% da sua população nos últimos dez anos, tendo uma população de quase 106000 habitantes.

A minha sugestão gastronómica de hoje vai para um local onde já deixei um cartão MB – que recuperei – e um boné que ainda lá deve estar.

Na baixa da cidade pode desfrutar de uma boa refeição no Restaurante Londres.

“Muito boa noite juventude. Estão bem dispostos?”, perguntei eu.

“Está tudo bem Tio”, respondeu o OLHA em nome do trio.

“As previsões de chuva não falharam, foi uma tarde bem encharcada. Vamos lá ao que interessa. Quem é que nos dá as primeiras observações?”.

“Antes de começarmos, deixem-me recordar uma análise que a RODINHAS fez ontem sobre a Zona Sul da 2ª divisão. Ela falou nas várias equipas que marcaram cinco golos, umas perderam outras venceram, mas sabem qual foi o resultado do último jogo da noite no Pico? Um empate a cinco!”, recordou o ALÉU.

“Há coisas muito curiosas. Por acaso eu sou um admirador do número cinco, porque joguei futebol muitas vezes com ele nas costas, que no meu tempo era o defesa esquerdo da equipa. Bem, deixemos estes pormenores da numerologia cabalística para regressarmos ao rinque. A que jogo estiveste atento?”.

“Eu estive numa de primeira, num jogo entre candidatos que não estão habituados a empatar. Era daqueles jogos em que eu não apostaria numa igualdade, mas os de Barcelos empataram a primeira vez e os lisboetas pela segunda, numa altura em que já disputaram 21 jogos”.

“Agora sou eu”, disse o OLHA. “Querem outro jogo com o número cinco?”, perguntou ele com um grande sorriso. “Incerteza até ao fim em Penafiel, um livre direto a dois segundos do fim, mas os de Azeméis reforçaram a candidatura à subida”.

“Eu até estou com medo de falar”, começou a RODINHAS. “Não sou supersticiosa, não acredito em bruxas, mas sabem qual foi o resultado do jogo que estive a ver?”.

“Que raio, até eu estou curioso. Não me digas…”, comecei eu a perguntar.

“Foi isso mesmo Tio, um empate a 5 golos, como ontem nos Açores, hoje foi no Tojal”.

“Que enorme coincidência”.

“Mas há mais. Ontem o empate chegou no último segundo e hoje surgiu no derradeiro minuto”.

“Já não quero saber mais nada, até estou arrepiado. Deixem-me lá terminar, olhando para os miúdos. Hoje temos festa em Gulpilhares, Barcelos, Almeirim, Mealhada, Parede, Sesimbra, Braga, Paços de Ferreira, Turquel, Alverca e Barreiro, todos na fase final do Nacional, isto nos sub-17 e sub-13. Hoje terminamos assim, com a juventude. Até para a semana”.

“Tchau Tio”, gritaram eles já no corredor.

Quem acompanha estas Crónicas, já sabe que este espaço é da responsabilidade de cada um dos artistas do aléu.

Mas quem reúne a informação?

O Ricardo Paulino, sempre pressionado por mim.

Na semana em que fez 30 anos, não sobrou muito tempo para a recolha dos questionários.

Como é preciso sempre ter um plano B, hoje sou eu que vou dar a cara no FORA DO RINQUE.

Nome Completo: Jorge Manuel Lopes Paulino

Clube atual: GDC Os Oriolenses

Alcunha (se tiver): Tio/Velho

Idade: 62 anos

Local de Nascimento: Lisboa

Clube estrangeiro futebol: Liverpool

Jogador português futebol: Eusébio

Jogador estrangeiro futebol: Pelé

Jogador de outra modalidade, português ou estrangeiro: Roger Federer

Prato: Cozido à Portuguesa

Sobremesa: Farófias

Bebida: Cerveja

Filme: O Rochedo

Ator: Sean Connery

Atriz: Sandra Bullock

Série televisiva: Casa de Papel

Livro: A Casa dos Espíritos (Isabel Allende)

Cidade portuguesa: Lisboa

Cidade estrangeira: Barcelona

Animais de estimação: Os meus patudos, Pablo e Pizzi

Jogo de computador/consola: Nunca joguei

Hobbies: Caminhar, cozinhar e blogar

Outra modalidade desportiva, se não fosse o hóquei: Não sei patinar, joguei futebol e andebol, federado, mas escolheria o ténis

Aquele momento ou jogo, de hóquei, que nunca vais esquecer: O título de Campeão Nacional de Infantis – no hóquei, sim – juntamente com o meu filho e com a bola do jogo, que ficou para sempre no meu bolso.

Vocês querem acreditar que houve outro jogo que terminou empatado a cinco golos?

Há por aqui qualquer coisa que parece bruxedo!

Neste jogo que se realizou em Paços de Ferreira, o João Pedro Costa (Gulpilhares) apesar de ser um sub-13, fez um hat-trick e leva O VELHO para casa.

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